Como você vê o amor?
- Daniel Tarsis
- 6 de jun. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 9 de jun. de 2024
como você vê o amor a terapeuta questiona
uma semana depois do término
e eu não sei responder a essa pergunta
só sei que pensava que o amor
era muito parecido com você
foi aí que caiu a ficha
e percebi que fui tão ingênua
por vincular uma ideia tão bonita à imagem de uma pessoa
como se alguém nesse planeta
pudesse conter tudo que o amor representa
como se a emoção pela qual sete bilhões estremecem
tivesse a aparência de um cara de um e oitenta
de peso médio e pele parda
que de manhã gosta de comer pizza congelada

como você vê o amor a terapeuta pergunta de novo
dessa vez cortando meu raciocínio no meio
e a essa altura estou prestes a levantar
e sair pela porta
só que paguei caro demais por essa hora
então lanço um olhar feroz em sua direção
do jeito que você olha para uma pessoa
quando está prestes a lhe dar razão
lábios cerrados se preparando para a conversa
olhos que penetram profundamente nos outros
em busca de todos os pontos fracos
escondidos em algum lugar
cabelo que é colocado atrás da orelha
como se fosse preciso preparo físico para uma conversa
sobre as filosofias ou quem sabe as decepções
da sua visão do amor
bem eu digo
não acho mais que o amor é ele
se o amor fosse ele
ele estaria aqui não é mesmo
se ele fosse a pessoa certa
seria ele a pessoa sentada comigo agora
se o amor fosse ele seria simples
não acho mais que o amor é ele eu repito
acho que nunca foi
acho que eu só queria alguma coisa
me sentia pronta para me doar a alguma coisa
que parecesse maior que eu mesma
e quando avistei alguém
que parecia se encaixar no molde
deixei bem clara minha intenção
de transformá-lo na minha metade

e eu me perdi para ele
ele levou tanto mas tanto
me envolveu na palavra especial
até eu acreditar que só tinha olhos para me ver
mãos só para me sentir
corpo só para estar ao meu lado
ah como ele me esvaziou
o que você sente em relação a isso
a terapeuta interrompe
olha eu digo
meio que me sinto um lixo
talvez todo mundo tenha entendido errado
a gente acha que deve procurar alguma coisa lá fora
uma coisa que tropeça na gente
na saída do elevador
ou cai na nossa mesa num café qualquer
aparece no fim de um corredor na livraria
sexy e inteligente na medida certa
mas acho que o amor começa aqui
o resto é desejo e projeção
de todas as suas vontades carências e fantasias
mas essas exterioridades nunca vão funcionar
se a gente não se voltar para dentro e aprender
a amar a si próprio para depois amar os outros

o amor não tem o rosto de alguém
amor é nossa atitude
amor é dar tudo que você pode
mesmo que seja só o maior pedaço do bolo
amor é entender
que temos o poder de machucar um ao outro
mas vamos fazer o que for possível
para que não aconteça
amor é compreender toda a gentileza que merecemos
e se alguém de repente aparecer
prometendo se doar tanto quanto você
mas seu atos começarem a te enfraquecer
em vez de elevar
amor é saber quem escolher
rupi kaur